Indústria Têxtil em Minas Gerais

 

                                                          As minas de ouro, pintura com tinta a base de óleo.

Proibições
Em Minas Gerais à época do auge da lavra nas minas, toda e qualquer atividade que não fosse a mineração era rigorosamente proibida. O fornecimento de tecidos era feito através de importação de outras regiões ou do exterior. Anteriormente ao alvará de 1785, o Marquês do Lavradio proibira a produção manufatureira na região das Minas Gerais, receio de que a Capitania pudesse se tornar independente das manufaturas do Reino.

Assim, estas proibições foram uma estratégia para retardar a implantação de indústrias de vulto. Entretanto, os interditos não afetaram a atividade têxtil mineira, porque esta era pulverizada e dispersa, toda artesanal. Já no início do século dezenove a indústria têxtil doméstica estava em franca prosperidade, base econômica de aldeias e vilas inteiras.

As exportações do "pano de Minas" se estendiam até o Rio Grande do Sul e mesmo Buenos Aires. Porém, o produto estrangeiro era um forte concorrente à produção local de tecidos mais finos, pois seu comércio se tornava mais intenso a partir do desenvolvimento dos transportes entre Minas e Rio de Janeiro.
  

D. João VI, retrato com tinta a base de óleo.

Primórdios

Registram-se tentativas de montagem de fábricas. Um mestre fabricante de tecidos, mandado por D.João VI, instalou na própria residência do Governador de Minas, um tear para servir de modelo. Já em 1831, na reunião do Conselho Geral da Província, os membros apareceram patrioticamente vestidos com panos feitos em Minas. Em 1837, organiza-se a Companhia Industrial Mineira, para uso de máquinas de fiar e tecer e que, em 1839, trabalhou em Neves, então distrito de Sabará, com três máquinas de "aprontar algodão", vinte e oito fusos para fio grosso e seis teares.

No Cipó instalou-se outra unidade que, em 1837, pareceu à presidência da província "digna de proteção".
 
     
                                                                                                                             

A Cana do Reino                                                                                                         Cumberland, retrato com tinta a base de óleo.

O primeiro estabelecimento, em Minas Gerais, equipado com modernas máquinas de fiar e tecer importados da Inglaterra, foi a Cana do Reino. Fundada em 1848 no município da Conceição do Serro por dois ingleses, Pigot e Cumberland, "estava equipada com dois fiatórios, um com duzentos e quarenta fusos e outro com sessenta, de uma carda, três cabeças de puxadores, cinco descaroçadores, uma urdideira, um tear mecânico, um caneleiro, três máquinas de tornear furo e uma de furar" (Francisco Iglésias).

Um motor de dez cavalos de força acionava a fábrica minúscula, um embrião da indústria têxtil que viria se implantar. O empreendimento teve ajuda governamental.

No intuito de estimulá-lo, o governo concedeu um empréstimo de vinte contos em 1851. Em 1874, a Cana do Reino foi liquidada. Os equipamentos tinham se tornado ociosos, havia dificuldade de se obter mão de obra qualificada: estes foram seus maiores problemas.


Fábrica do Cedro em 1872. Pintura: Nazareno Altavila

A Fábrica do Cedro

Superados os tempos de interdições e atraso, a fiação e tecelagem seria o setor industrial que mais cresceria durante o século XIX, e o mais expressivo até a década de 1920.

A moderna indústria têxtil surgiria em Minas Gerais no início da década de 1870, com a instalação da Fábrica do Cedro. Situava-se em Tabuleiro Grande, município de Sete Lagoas. Criada em 1868 pelos irmãos Bernardo, Caetano e Antônio Cândido Mascarenhas, era para ser inicialmente localizada em Juiz de Fora.

Com investimento inicial de sessenta contos de réis, a fábrica entrou em produção em 1872, com vinte e quatro teares, elevado rapidamente, em 1882, para quarenta teares.

A expansão

Já em 1874 o número de fábricas na Província de Minas Gerais ascendia a nove. Incentivando-as, o governo expediu ordens de que as repartições públicas, no uso de vestuário de presos e praças, dessem preferência aos tecidos das fábricas mineiras.                                                                                                        Estradas de ferro invadem o interior

Em 1883 a produção diária é de 12 mil metros, empregando setecentos operários. Mais de 25% das unidades existentes utilizavam energia elétrica e se situavam em centros urbanos.

Esse é o período da substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado, do desenvolvimento do mercado, da rápida expansão das estradas de ferro, do desenvolvimento gestado pela cultura do café e da aparição das primeiras indústrias, precedendo e criando as condições necessárias à industrialização em Minas Gerais.                                       

                                                                                                                                          
O início do século XX - A "Valorização"                                             
No início de fevereiro de 1906, os grandes negociantes de café,reunidos em Taubaté (SP), definiram os fundamentos de uma nova política de defesa do café. Era o início da "valorização", cujos principais objetivos eram a compra dos excedentes pelo governo para restabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda, e o financiamento dessas compras por empréstimos de bancos estrangeiros.
Na medida em que assegurou a continuação da acumulação de capitais na economia cafeeira, núcleo do desenvolvimento capitalista em Minas e no Brasil, a "valorização" tem como resultado principal o prosseguimento do desenvolvimento que penetra em todos os setores da economia brasileira: comércio e indústria, importação e exportação, açúcar e café. Com a ocorrência da Primeira Guerra Mundial operam-se significativas mudanças sociais que alteram a estrutura da sociedade brasileira: o surgimento no cenário nacional de novas classes sociais - burguesia e proletariado; a ascensão das camadas médias; o início das reivindicações operárias e da luta social; o processo de urbanização; o  início do processo de emancipação feminina. Para o setor indústrial têxtil as mudanças são significativas: em 1915, a conjuntura da guerra permite exportar duas toneladas de tecidos de algodão. Em 1918 são cento e treze toneladas.

Em Minas Gerais, desde 1915, se criara o Serviço do Algodão, orientado não só para o campo da experimentação e controle das sementes, mas também para o aprimoramento da tecnologia de fibras, resultado da importância que a indústria têxtil assumia dentro da economia mineira. Em 1927, o estado exportava trezentas e trinta e três toneladas de algodão, para atingir a marca de trinta e seis mil toneladas em 1936, provando a importância econômica e o amadurecimento do setor têxtil em Minas Gerais.

 

Praça José Inácio Peixoto, 28 - CP 29 - 36772-900 - Cataguases/MG - Brasil
Tel.: +55 (32) 3422-2211 Fax: +55 (32) 3421-1382
by Seven